sábado, 10 de novembro de 2018

Benedita da Silva: Deputada Federal


Formada em Serviço Social, Ex-governadora do Estado do Rio de Janeiro. Segue abaixo uma pouco da agitada vida política desta grande liderança da comunidade afro-brasileira.

Benedita da Silva construiu sua vida pública envolvida nas lutas em favor das comunidades empobrecidas do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Moradora do morro Chapéu Mangueira durante 57 anos, iniciou sua trajetória na Associação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro.
Foi voluntária e alfabetizava adultos e jovens na favela do Chapéu Mangueira pelo método Paulo Freire. Nunca deixou de estudar e, aos 40 anos, concluiu os cursos de Serviço Social e de Estudos Sociais.
Em 1979, filiou-se com entusiasmo na criação do Partido dos Trabalhadores, pois via ali a oportunidade das mulheres, negras e pobres lutarem de forma organizada por direitos.
Em 1982, já articulada com os movimentos de mulher, negro e comunitário, foi eleita a primeira vereadora do PT e também a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro.
A eleição para deputada federal em 1986 foi o reconhecimento do trabalho em defesa da mulher, da igualdade racial, da trabalhadora doméstica, das minorias, dos direitos humanos e das comunidades faveladas. Assumiu o mandato, que também era constituinte, com a determinação de incluir na nova Constituição democrática os direitos desses segmentos discriminados.
Foi um luta árdua incluir os direitos das trabalhadoras domésticas, muitos dos atuais direitos da mulher e garantir o direito das mulheres presidiárias de permanecerem com os seus filhos durante a amamentação. Lutou pela igualdade racial, pela titulação das terras de quilombos, entre outras bandeiras. Foi suplente da Mesa Diretora da Câmara na Constituinte.
Benedita da Silva manteve a coerência em todos os mandatos e cargos que assumiu. Assim, foi na condição de vereadora, deputada federal, senadora, vice-governadora, governadora, ministra de Desenvolvimento Social do primeiro Governo de Lula, e secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro.
Em 2002, quando governou o estado do Rio de Janeiro, numa decisão inédita, nomeou 20% de negros para o primeiro escalão. Implantou a lei cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Ao ser eleita novamente deputada federal, em 2010, foi escolhida para ser a relatora da Proposta de Emenda Constitucional que ampliou os direitos trabalhistas das trabalhadoras domésticas, uma categoria com cerca de 7 milhões de pessoas. Foi uma oportunidade que a honrou, pois essa é uma luta que ela vem travando desde o início de sua vida política.
Do movimento comunitário do Chapéu Mangueira aos mandatos políticos que exerceu e continuou exercendo, passando pelo engajamento em defesa da igualdade racial, dos direitos da mulher e da inclusão social e de uma trajetória que reflete as lutas de todos aqueles que são excluídos, e lutam por uma sociedade socialmente mais justa e democrática.


Benedita Sousa da Silva Sampaio é uma política brasileira. Foi a 59ª governadora do Rio de Janeiro e atualmente é deputada federal. É esposa do ator Antonio Pitanga e madrasta da atriz Camila Pitanga e do ator Rocco Pitanga. Wikipédia
Nascimento: 26 de abril de 1942 (idade 76 anos), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Cargo: Deputado federal do Brasil desde 2011
Cônjuge: Antonio Pitanga (desde 1992), Agnaldo Bezerra dos Santos (de 1983 a 1988), Newton Aldano da Silva (a 1981)



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Barack Obama: primeiro presidente negro nos Estados Unidos da América


Barack Hussein Obama ocupa a cadeira presidencial dos Estados Unidos da América. É o quadragésimo quarto presidente daquele país. E cumpre seu segundo mandato.

Dono de um discurso inabalável, tem como fortes características a oratória e o carisma. Obama é o primeiro presidente negro da história dos EUA.
Nasceu em Honolulu no Hawaii, no ano de 1961. Porém seus pais se separaram quando ele tinha apenas dois anos de idade. Seu pai retornou para o Quênia, país onde nasceu. Obama foi viver na Indonésia com sua mãe, que se casou novamente por lá.
Há fortes indícios de que Barack Obama tenha tido uma criação muçulmana, sendo seu avô paterno muçulmano. Há evidências dessa criação religiosa, embora Obama hoje se apresente como cristão.
De volta ao Hawaii, na pre-adolescência, Obama foi criado pelos avós, é nessa fase que Obama cometeu, segundo ele mesmo, um dos seus maiores erros, que foi haver experimentado drogas. Fato que não o condenou ao vício.
Estudou até graduar-se em Ciências Políticas primeiro em Columbia, mais tarde graduou-se em Direito na Harvard. Presidiu naquele momento a principal revista de advocacia do país, chamada Harvard Law Review.
Obama lecionou Direito em Chicago por alguns anos, enquanto também atuava como líder comunitário, ajudando comunidades em situações sociais delicadas.
Foi eleito ao Senado Estadual de Illinois e o exerceu por três mandatos. Ganhou apoio com seus esforços, favorecendo os trabalhadores de baixa renda.
Eleito depois, em 2004, ao senado federal. Destacou-se por sua posição contra à guerra no Iraque. Aprovou leis que ajudavam economicamente países na Africa e sobretudo uma emenda que restringia a atividade de lobistas dentro do governo americano, tornando-o mais transparente.
Em 2007 renuncia sua cadeira no Senado para concorrer à Presidência dos Estados Unidos. Eleito em 2008 pelo Partido dos Democratas.
Barack Obama, é um representante Democrata e como tal, apresenta visões mais liberais e modernas diante assuntos delicados. Posições favoráveis ao casamento homossexual, aumento no controle de armas para civis, são exemplos.
Obama ganhou um prêmio nobel da paz por seu empenho contra a guerra, apesar disso, ainda se encontra envolvidos em questões militares e com exércitos em atividade em países como Síria, Iraque e Israel.
Para os simpatizantes Barack é um político único e estimulante, enquanto seus opositores o criticam principalmente por observar em sua política idéias ingênuas e políticas econômicas que se aproximam do socialismo.
Casado com Michelle. Tiveram duas filhas, Malia e Sasha.

Barack Obama

Professora de História

Barack Hussein Obama II (ou Jr.), conhecido como Barack Obama, foi o 44º presidente dos Estados Unidos (2009-2017).
Seu governo foi marcado pela crise econômica de 2008, escândalos envolvendo espionagem, mas também uma luta por maior igualdade entre gêneros e raças.
Foi reeleito em 2013 e terminou seu mandato em 2017.
Barack Obama nasceu em 4 de agosto de 1961, em Honolulu, no Havaí. Seu pai era queniano e a mãe americana e se conheceram enquanto estudavam na universidade.
A união não durou muito e os pais se divorciaram quando Obama tinha dois anos. Mais tarde, a mãe se casaria com outro colega universitário, de nacionalidade indonésia, e iria com ele para Jacarta. Ali, Obama estudaria em colégios públicos até voltar para o Havaí em 1971 onde seria criado por seus avós maternos.

Carreira Universitária e Política

Obama estudou Ciências Políticas na Universidade de Columbia e mais tarde, se formaria em Direito, em Havard. Foi o primeiro editor afro-americano da Havard Law Review revista de estudantes do curso.
Enquanto cursava seus estudos universitários se envolveu em vários trabalhos comunitários e voluntários. Ajudava a preparar estudantes para ingressar na universidade, a entrar no mercado de trabalho ou defender os direitos dos inquilinos. Também faria campanha para melhorar as condições do metrô de Nova York.
Foi professor da Universidade de Chicago e igualmente trabalhou em escritórios de advocacia desta cidade. Em 1997 disputou pelo Partido Democrata as eleições para o Senado estadual de Ilinois onde foi reeleito até 2004. Neste ano, obteve uma cadeira no Senado dos Estados Unidos.
Estrela em ascensão no Partido Democrata, em 2004 foi convidado para fazer o discurso principal da Convenção. Ali conquistou boa parte dos correligionários e tornou-se conhecido do grande público.

Eleição Presidencial

Em 2008, Obama anunciou que concorreria às primárias que escolheriam o candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais americanas.Desta maneira teve que vencer vários oponentes dentro do partido e principalmente, Hillary Cliton, ex-primeira dama e ex-senadora.
O debate foi intenso e acirrado, mas Obama soube conquistar os democratas com seu carisma. Seja como for, as eleições de 2008 já tinham entrado para História americana ao confrontar por primeira vez um candidato negro e uma mulher branca.
Uma vez superada a etapa dentro do seu partido, Obama se enfrentou com o republicano John McCain, candidato republicano. Político experimentado e veterano da Guerra do Vietnã, McCain fazia o contraste perfeito com a juventude e aparente inexperiência de Obama.
Após oito anos de governo republicano que levaram o país para uma guerra no Oriente Médio sem solução, os eleitores americanos optaram pela novidade e elegeram o primeiro presidente negro de sua história.

Governo Obama (2009-2017)

  • Sancionou a lei que obrigava a todo cidadão americano a ter um plano de saúde e que as seguradoras não poderiam mais recusar pessoas com doenças pré-existentes ou congênitas. A lei foi aprovada em 2009 e foi apelidada de Obamacare;
  • em 2011, tropas americanas conseguiram localizar e matar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden
  • conseguiu reerguer a economia americana;
  • nomeou a primeira mulher de ascendência hispânica para a Suprema Corte, em 2009,
  • aprovou a lei federal que aprovava o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2015;
  • assinou e defendeu a entrada dos Estados Unidos no Acordo Climático de Paris, em 2015;
  • aprovou a lei onde as empresas de mais de 100 empregados deveriam detalhar o pagamento de seus subordinados garantindo a igualdade salarial para homens e mulheres, em 2016;

https://www.todamateria.com.br/barack-obama/

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Aqualtune: princesa africana e rainha quilombola no Brasil


Segue abaixo, a compilação de alguns textos que condensam algumas informações sobre a princesa congolesa Aqualtune e sua atuação no Brasil, sobretudo sua importância para a luta quilombola.
O objetivo é incentivar os leitores a continuarem a pesquisa para conhecerem mais a fundo, esta, e outras pessoas importantes da história afro-brasileira.

Aqualtune é, segundo a tradição, a mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares.[1] Ela seria uma princesa africana, filha de um rei do Congo ainda não identificado. Ela também poderia ser avó de Ganga Zumba. 
Aqualtune liderou, em 1665, uma força de dez mil homens na Batalha de Mbwila (cidade localizada na atual Angola), entre o Reino do Congo e Portugal, e foi capturada com a derrota congolesa. Sabe-se que o rei do Congo nesta época era Antônio I, cujo o nome nativo era Nvita a Nkanga e era membro da Dinastia de Nlanza. Não se sabe o grau de parentesco que Aqualtune supostamente tinha com este rei mas especula-se que poderiam ter sido irmãos, já que Nvita teve um reinado curto de 4 anos, tendo falecido justamente na Batalha de Mbwila. Se isso for correto o pai de Aqualtune teria sido o rei Garcia II, cujo nome nativo era Nkanga a Lukeni a Nzenze a Ntumba, que governou o Congo entre 1641 e 1661, falecendo de idade avançada.
Foi então aprisionada e trazida para o Recife no Brasil, vendida como escrava reprodutora. Ao ficar grávida, foi vendida para o engenho de Porto Calvo, onde tomou conhecimento do Quilombo dos Palmares.[1]
Nos últimos meses de gravidez organizou uma fuga para Palmares, onde liderou um dos mocambos que recebeu seu nome. Ela teria dado à luz Ganga Zumba e Gana, que se tornaram chefes de dois dos mais importantes mocambos de Palmares. Posteriormente teria dado a luz a Sabina, que seria a mãe de Zumbi, o grande líder dos Palmares.[1]
Aqualtune, com seus conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra, foi fundamental para a consolidação do Estado Negro, a República de Palmares.[1]


Rainha e guerreira, Aqualtune é um dos principais nome da resistência afro-brasileira contra a escravidão e o racismo.
Texto / Vinicius Martins Imagem / Alma Preta
A história de Aqualtune é singular na memória afro-brasileira. Sua vida começa no continente africano, no Congo, no século XVI. Era princesa, filha do rei Mani-Kongo, respeitada por seu papel nas terras congolesas.
Veio ao Brasil após ver seu pai e seu reino derrotados na Batalha da Ambuíla, contra as forças angolanas e portuguesas pelo controle do território de Dembos, que separava Angola e Congo.
Historiadores afirmam que durante os confrontos, Aqualtune liderou 10 mil pessoas durante uma invasão contra seu reino. Entretanto, a resistência não foi capaz de frear os angolanos e os interesses portugueses.
Ao fim da guerra, seu pai foi decapitado e ela foi capturada por forças portuguesas. Foi vendida à senhores de escravos brasileiros junto de seus compatriotas.

Uma vez no Brasil, mais especificamente no Recife, foi vendida como escrava reprodutora para uma fazenda em Porto Calvo no Pernambuco, onde foi estuprada para dar origem a novos cativos de acordo com os interesses dos senhores de escravos.
No entanto, sua força se fez presente mais uma vez. Ao ouvir falar da resistência negra no Brasil, constituída em quilombos, Aqualtune não perdeu tempo e junto de outros escravos lutou pela liberdade e fugiu da fazenda em que estava aprisionada.
Mesmo no Brasil, a fama de Aqualtune entre a população negra era grande. Seu passado e sua realeza foram importantes para que em Palmares ela logo assumisse novamente uma posição de liderança. A partir das tradições de sua cultura, comandou o maior Quilombo da história brasileira.
Com o passar dos anos tornou-se mãe. Seu filho e herdeiro veio a ser conhecido como Ganga Zumba. Tempos depois tornou-se avó. E seu neto era nada mais nada menos que Zumbi do Palmares.
A data de sua morte e o fim de sua vida são incertos. Relatos apontam que aconteceu depois de anos como forte liderança da resistência negra local. Há quem diga que morreu durante uma emboscada paulista para destruir o Quilombo dos Palmares, durante um incêndio. Outras teorias afirmam que ela teria fugido e vivido seus últimos dias de vida em paz em outra comunidade.
Pouco lembrada pelos livros e pelas escolas do Brasil, Aqualtune foi uma figura importante para a resistência afro-brasileira no período colonial. Simbolizou liderança e luta diante do sistema escravocrata e fez questão de passar isso adiante, seja através de seus filhos ou de seus seguidores em Palmares.
Dia da Mulher Afro-latinoamericana e caribenha
No ano de 1992, na cidade de Santo Domingo, República Dominicana, instituiu-se 25 de Julho como o dia da Mulher Afro-latinoamericana e caribenha. A data visa dar destaque à resistência das mulheres negras em toda a América Latina e à luta contra o racismo e o machismo.
O Brasil só adotou a data no calendário oficial da nação em 2 de Junho de 2014, o que sagrou o país como o último a celebrar o dia de maneira oficial. A lei 12.987, proposta de autoria da ex-senadora Serys Slhessarenko, escolheu por homenagear o 25 de Julho com o nome da líder quilombola do Mato Grosso, e transformar a data em Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Ao longo das comemorações, o Alma Preta resgata a história de mulheres importantes para a história negra na América Latina. Conheça na próxima semana, a história da peruana Victoria Santa Cruz.

Princesa- guerreira, um dos maiores símbolos de resistência e luta pela liberdade negra, mãe de um dos maiores líderes pela luta da liberdade negra, e avó de talvez o maior dos líderes da luta contra a escravidão. Ou se você quiser resumir, simplesmente Aqualtune.
Não consegui saber de fatos sobre a infância da princesa. Seu rastro histórico começa no ano de 1665, quando, segundo a história, liderou cerca de 10mil guerreiros congoleses, no que ficou conhecido como “a Batalha de Mbwila”, quando a sua tribo foi atacada por outra de nome “Wachagas” - há quem diga que o conflito foi provocado pelos portugueses, interessados em cativos para o comércio de escravos. O fato, é que a tribo de Aqualtune perdeu o combate, e a cabeça o pai dela, o rei de Mani-Kongo, foi cortada e exibida em uma igreja, enquanto a sua filha, foi presa com seus companheiros e vendida como escrava.
Então, teria sido enviada em um navio negreiro para o forte de Elmina, em Gana, onde teria sido “batizada” por um bispo católico e, como prova de seu batismo, foi marcada uma flor com ferro quente em cima do seu seio esquerdo. Daí, completou a travessia no navio negreiro para o Brasil, onde desembarcou em Recife. Alguns dizem que ela já teria embarcado grávida, e teria sido estuprada diversas vezes por outro escravo, pois, forte e saudável, foi escolhida para ser vendida como escrava reprodutora. Conta que em desespero, ao embarcar em Recife, teria tentado correr para o mar- provavelmente uma tentativa desesperada de voltar para a sua terra natal.
Porém, nossa guerreira se encontrava em um estado de letargia profundo. Provavelmente, depressão- e quem não compreenderia?  Já em Recife, foi vendida para uma fazenda especializada em gado e o dono da fazenda, ao saber da sua origem, e que Aqualtune ainda era venerada por alguns escravos devido a sua origem, a entregou para os seus piores homens em sua fazenda.
E a letargia em nossa heroína continuava. Até que, na altura do sexto mês de gravidez, ela sentiu seu bebê se mexer e “seu sangue se mexeu junto”.
Então, ela ouviu falar em um chamado “Reino dos Palmares”. Desde o primeiro momento da escravidão no Brasil, que vários negros criaram centros de resistência fugindo para o interior. Mais ou menos em 1606, um grupo de escravos conseguiu se estabelecer nas montanhas de Pernambuco, e ali conseguiram estabelecer um “mocambo”, na região conhecida como Palmares.
Então, surgiu em Aqualtune a vontade de fugir e se juntar ao povo de Palmares. Se juntou a um grupo de escravos para se insurgir e destruir a casa grande. Conseguiu e , no meio de sua fuga, mais escravos foram se somando ao grupo ao longo do caminho.  Conta-se que chegaram com ela cerca de 200 escravos ao Reino de Palmares. Então, alguns contam que sua origem real teria sido reconhecida, mas o fato é que ela se tornou o líder do Reino dos Palmares. E dentro do chamado reino dos Palmares, ela teria fundado o chamado “Quilombo dos Palmares”.  Ali, Aqualtune deu à luz a dois filhos, ambos guerreiros que também entraram para a história: Ganga Zumba e Ganga Zona, conhecidos pela sua coragem e liderança. Também teve uma filha, de nome Sabina, que teve mais tarde, um menino chamado Zumbi, que mais tarde ficaria conhecido como “Zumbi dos Palmares”, e seria reconhecido como um dos maiores líderes negros da história.
O final da vida de Aqualtune é controverso. Alguns dizem que uma das várias expedições enviadas pelo governo português e donos de fazenda, teriam queimado a vila onde ela vivia junto com outros idosos da comunidade. Outros alegam que ela teria conseguido fugir. Outros ainda afirmam que ela simplesmente morreu de doenças da velhice. O fato, é que há uma lenda que os deuses da África teriam tornado nossa guerreira imortal, um espírito ancestral que conduziu seus guerreiros até a queda definitiva do quilombo dos palmares em 1694. Dizem que até hoje ela é lembrada em Pernambuco, e a princesa, cantada na música Zumbi, de Jorge Bem Jor, seria uma referência à Aqualtune.


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Antônio Rebouças: Engenheiro responsável pela construção da estrada de ferro de Campinas a Limeira e Rio Claro

Segue abaixo um pouco sobre a breve e intensa vida do engenheiro Antônio Rebouças, irmão do outro engenheiro, André Rebouças. O texto abaixo é uma compilação quase literal extraído do site da "Uol", com algumas informações do site da "Bahia-turismo".
Esperamos que apreciem.
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Antônio Pereira Rebouças Filho nasceu na cidade baiana de Cachoeira, em 13 de junho de 1839 e Faleceu precocemente com 35 anos, em 1874, de malária (ou tifo).
Ele era irmão de outro engenheiro, André Rebouças. Ambos fazem parte da galeria dos grandes engenheiros brasileiros do século XIX.
Assim como seu irmão, Antônio completou seus estudos de engenharia na Europa, especializando-se na construção de estradas de ferros e portos marinhos
https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1541462519701Fato importantíssimo mas pouco comentado nos dias de hoje, é o fato de Antônio ter sido o engenheiro responsável pela construção da Estrada de Ferro de Campinas a Limeira e Rio Claro, da ponte de ferro sobre o rio Piracicaba e da Estrada de Ferro Antonina - Curitiba, no Paraná, concluída em 1873.
Antônio divide com André a responsabilidade pela criação da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba.
Em 1871, Antônio Rebouças fundou a Companhia Florestal Paranaense, localizada próxima ao traçado da então futura ferrovia Curitiba-Paranaguá e considerada a primeira grande empresa madeireira do Paraná.
Fontes:
http://www.bahia-turismo.com/cachoeira/antonio-reboucas.htm

domingo, 4 de novembro de 2018

Acotirene: matriarca do quilombo dos Palmares


Expomos abaixo uma compilação de alguns textos sobre Acotirene, expressiva personagem da contra-história afro-brasileira, provavelmente do final do século XVI e começo do século XVII, no nordeste (Alagoas e Pernambuco).


Acotirene: Substantivo feminino. Origem linguística provável: idioma quimbundo, falado em Angola (África) pelo povo ambundu. Etimologia: akota, rikota ou kota, maior, superior) e ionene, de grande altura, volumoso, grande. Outra versão, segundo Lopes (2012)*: Coxe Nene (nkosi = leão; nene = grande). Idioma kikongo. Matriarca do Quilombo de Palmares (Século XVII), nos Estados de Alagoas e Pernambuco, no Brasil. Nome de um dos mocambos do Quilombo de Palmares.

http://profjosebenedito.blogspot.com/2015/07/dicionario-historico-e-cultural.html

Acotirene ou Arotirene (registrado em diversos documentos) deu nome a um importante mocambo situado no Quilombo dos Palmares, instalado no litoral dos Estados de Pernambuco e Alagoas, em homenagem a uma das primeiras mulheres que habitou o Quilombo dos Palmares e que exerceu grande influência na vida dos negros quilombolas. Como houve poucos registros documentais, segundo a oralidade perpassada de pais para filhos que contavam a história do Quilombo que resistiu por quase um século, ela foi uma das primeiras mulheres a habitar os povoados quilombolas da Serra da Barriga (AL), antes de Ganga-Zumba assumir o poder. Matriarca do Quilombo do Palmares, exercia a função de mãe e conselheiras dos/as primeiros/as negros/as refugiados na Cerca Real do Macacos. Era consultada para todos os assuntos, desde questões familiares até questões político-militares. Salve essa guerreira, matriarca, líder palmarina!

Fonte: 
ROSA E SILVA, E. Q.; BOMFIM, E. A. (Org). Dicionário Mulheres de Alagoas ontem e hoje. Maceió: Edufal, 2007.


Uma das primeiras mulheres a habitar os povoados quilombolas da Serra da Barriga em Alagoas. Matriarca do Quilombo do Palmares, exercia a função de mãe e conselheiras dos/as primeiros/as negros/as refugiados na Cerca Real do Macacos. Era consultada para todos os assuntos, desde questões familiares até questões político-militares.


Era considerada matriarca no Quilombo dos Palmares e conselheira dos primeiros negros refugiados na Cerca Real dos Macacos. Um dos mocambos (casa) foi batizado com o seu nome. 


*LOPES, Nei.Novo diciona´rio banto do Brasil. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

sábado, 3 de novembro de 2018

Abdias Nascimento: ativista antirracista no teatro, na universidade, na política, na literatura...

Abdias Nascimento (1914- 2011) é um dos maiores ativistas antirracistas brasileiros no século XX (desde os anos 30) e início do século XXI (até sua morte em 2011).
Suas atividades foram além do Brasil, tendo ele abraçado uma perspectiva internacional, ao aderir ao movimento pan-africanista.

Dentre suas obras, destacam-se: O genocídio do negro brasileiro, Quilombo, Quilombismo, Orixás, Thoth: escriba dos deuses, Pensamento dos povos africanos e afrodescendentes, O griot e as muralhas, O Brasil na mira do pan-africanismo, dentre outros.
Para dizer mais sobre essa grande referência da e para a  luta antirracista, reproduziremos abaixo o texto da pesquisadora Natália Neris da Silva Santos, a quem pedimos a devida licença. Ago, Nátália, ago!


Abdias do Nascimento. Um dos maiores líderes do movimento negro no Brasil

Natália Neris da Silva Santos *

Abdias do Nascimento é um símbolo da luta. Da luta contra a opressão, contra o preconceito, contra a submissão cultural, econômica e social do negro no Brasil.
Nascido em 1914, em Franca, interior de São Paulo, iniciou sua militância ainda bem jovem, em 1929, quando sai de sua cidade e vai para a capital a fim de alistar-se.
Em São Paulo, Abdias passa a sofrer de modo ainda mais intenso o racismo praticado por uma sociedade recém saída de um regime escravocrata, caracterizada pela crença na superioridade do trabalho do imigrante (graças a força das teorias racialistas naquele contexto), que de maneira não tão implícita excluía o negro política, social e psicologicamente.
Assim, nos anos 1930, contexto no qual as necessidades da população negra eram negligenciadas tanto por democratas quanto por republicanos, e dada à dificuldade de participação em movimentos operários graças ao domínio do movimento por imigrantes, surge uma organização com uma capacidade considerável de arregimentação, liderada e composta somente por negros, a Frente Negra Brasileira (FNB).
Intentando uma efetiva participação política, a FNB transforma-se em partido. Apesar do dispêndio de esforço por parte dos seus integrantes, dentre eles Abdias do Nascimento (em sua maioria jovem, de classe média) a FNB não elegeu um só de seus candidatos. Tal fato pode ser tributado a restrição do direito ao voto aos alfabetizados (o que excluía grande parte da população negra), bem como a situação de controle a que estavam sujeitos ainda o voto da população da zona rural (majoritariamente negra).
Outro fator que explica o enfraquecimento político de tal partido fora seu relacionamento próximo com o Integralismo. Essa orientação refletia as ansiedades das classes médias e média baixa de São Paulo, bem como seu medo das poderosas pressões vindas de cima e de baixo. Elas haviam sentido profundamente sua exclusão política por parte da Republica dominada por fazendeiros e temiam também a feroz competição por empregos, educação e mobilidade ascendente que enfrentavam da parte dos imigrantes europeus e de seus filhos. Assim, muitos reagiam abraçando o nacionalismo e a xenofobia estridentes do integralismo e rejeitando a democracia liberal, desacreditada pela corrupção e pelas fraudes da República.
Essa aproximação a tal corrente acabou por enfraquecer o partido, que teve seu fim em 1937 (juntamente com os demais partidos da época) graças ao golpe empreendido por Getúlio Vargas.
Apesar do insucesso de tal movimento, a atuação de Abdias na militância não finalizou-se nesse período, pelo contrário, após a experiência na FNB, fica claro para Abdias que a inserção da temática racial se fazia necessária no contexto brasileiro e que enfrentaria barreiras das mais diversas ordens tanto pela dificuldade de arregimentação da massa, quanto pela dificuldade de convencer os diversos setores sociais da relevância da discussão da situação econômica, cultural e social do negro.
Assim, prossegue sua militância ao longo da década de 1940. Gradua-se em economia no Rio de Janeiro, e nesta cidade conhece seis amigos, poetas. Forma-se então o grupo Santa Hermandad Orquidea que sai pelo Brasil e pela América do Sul escrevendo poesias.
Ao chegar no Peru, Abdias depara-se, numa peça de teatro, com um personagem que deveria ser negro, interpretado por um ator branco, pintado de preto. Essa realidade, já percebida também no Brasil, país cuja presença negra dispensava tais artifícios, o fez idealizar um projeto, a fundação de uma companhia de teatro composta somente por atores e atrizes negros, o Teatro Experimental do Negro (TEN).
Abdias chegou a retratar a dificuldade de aceitação de sua idéia no nosso país. Muitos diziam que ele tinha “perdido o juízo”, “que estava levantando um problema até então inexistente no Brasil”.
No entanto, apesar das dificuldades o TEN inicia suas atividades no início da década de 1940, e através das peças, Abdias buscava tratar a temática do preconceito e das relações raciais no Brasil, de uma maneira geral.
Na década de 1950 passa a dirigir também o jornal “Quilombo” no qual buscou veicular notícias dos diversos movimentos negros no Brasil, e nesse período, com intuito de articular esses diversos grupos promove o I Congresso do Negro Brasileiro.
A atuação no Brasil através do TEN finda-se ao final da década de 1960 graças a perseguição política, e assim, Abdias permanecerá exilado até 1978. Passará grande parte desse período nos Estados Unidos, local onde lecionará na área de cultura de arte. Além de atuar como conferencista e professor visitante em diferentes universidades neste país, Abdias fundou a cadeira de Culturas Africanas no Novo Mundo, no Centro de Estudos Portorriquenhos da Universidade do Estado de Nova York em Buffalo. Tal experiência proporciona a Abdias a oportunidade de atuar como conferencista também em diversos países da América do Sul e África.
A aproximação com militantes negros americanos, com líderes africanos enriquecerá sobremaneira a atuação de Abdias, que diferentemente da maioria dos intelectuais que voltaram do exílio, não encontra oportunidades na academia brasileira (não por sua falta de preparo, dado que Abdias atuou intensamente fora do Brasil, mas por motivos bastante claros, como sua insistência em tratar do problema do negro brasileiro, por seu interesse em tratar a África, sua cultura, sua arte, sua política de modo intenso, dentre tantos outros anseios visto com tanta desconfiança pelos nossos intelectuais).
Assim, Abdias investirá na carreira política. Sua voz, que se levantava desde a década de 1950 por políticas reparatórias levanta-se ainda com mais vigor quando torna-se deputado (1983-1987). Abdias nesse período prossegue sua luta em se fazer ouvir pela direita (relutante e conservadora no que tange às questões sociais) e pela esquerda (também relutante e conservadora no que tange ao reconhecimento a especificidade da luta do negro, tentando sempre abarcá-la no conjunto dos problemas sociais, relacionados ao pertencimento de classe).
Como senador, entre 1997 e 1999, Abdias logrou êxito nesse sentido já que graças ao seu e de tantos outros militantes das novas gerações, a temática racial começa a ser reconhecida como objeto de política pública, principalmente na última década.
Analisando a rica trajetória de vida de Abdias Nascimento ao longo de seus 97 anos, podemos afirmar que ele pode ser tido mais do que como símbolo de uma luta, mas principalmente como símbolo da resistência.
Militar por uma questão que é encarada como um problema não prioritário (quando é de fato encarado como um problema), durante toda a vida, seja como poeta, pintor, artista plástico, ator, acadêmico ou político, ou seja, onde quer se esteja atuando é militar, de fato, na sua forma mais plena e verdadeira.
A vida pode não ter sido tão doce para Abdias, mas com certeza não será permeada de tanta “crueza” ou não será tão amarga para as gerações de brancos e não-brancos que ainda virão, graças a sua persistência, seu exemplo, sua luta ao longo do último século.

Natália Neris da Silva Santos
Pesquisadora Júnior do Núcleo de Direito e Democracia do CEBRAP

O texto de Natália Neris da Silva Santos foi publicado anteriormente no blog: http://blog-francamente.blogspot.com/2011/05/abdias-do-nascimento-um-dos-maiores.html