quinta-feira, 11 de junho de 2015

Conheça a diferença entre racismo e injúria racial

Embora impliquem possibilidade de incidência da responsabilidade penal, os conceitos jurídicos de injúria racial e racismo são diferentes. O primeiro está contido no Código Penal brasileiro e o segundo, previsto na Lei n. 7.716/1989. Enquanto a injúria racial consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, o crime de racismo atinge uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça. Ao contrário da injúria racial, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível.
A injúria racial está prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, que estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. De acordo com o dispositivo, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima. Um exemplo recente de injúria racial ocorreu no episódio em que torcedores do time do Grêmio, de Porto Alegre, insultaram um goleiro de raça negra chamando-o de “macaco” durante o jogo. No caso, o Ministério Público entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), que aceitou a denúncia por injúria racial, aplicando, na ocasião, medidas cautelares como o impedimento dos acusados de frequentar estádios. Após um acordo no Foro Central de Porto Alegre, a ação por injúria foi suspensa.
Já o crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, implica conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade e, geralmente, refere-se a crimes mais amplos. Nesses casos, cabe ao Ministério Público a legitimidade para processar o ofensor. A lei enquadra uma série de situações como crime de racismo, por exemplo, recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou às escadas de acesso, negar ou obstar emprego em empresa privada, entre outros. De acordo com o promotor de Justiça do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Thiago André Pierobom de Ávila, são mais comuns no país os casos enquadrados no artigo 20 da legislação, que consiste em “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.
Apologia - Este mês, por exemplo, a 1ª Turma Criminal do TJDFT manteve uma condenação por crime de racismo de um homem que se autodenomina “skinhead” e que fez apologia ao racismo contra judeus, negros e nordestinos em página da internet. De acordo com os desembargadores, que mantiveram a condenação à unanimidade, “o crime de racismo é mais amplo do que o de injúria qualificada, pois visa atingir uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça. No caso, o conjunto probatório ampara a condenação do acusado por racismo”.
Ao contrário da injúria racial, cuja prescrição é de oito anos – antes de transitar em julgado a sentença final –, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível, conforme determina o artigo 5º da Constituição Federal. Apesar disso, de acordo com o promotor Pierobom, na prática é difícil comprovar o crime quando os vestígios já desapareceram e a memória enfraqueceu. O promotor lembra de um caso em que foi possível reconhecer o crime de racismo após décadas do ato praticado, o Habeas Corpus 82.424, julgado em 2003 no Supremo Tribunal Federal (STF), em que a corte manteve a condenação de um livro publicado com ideias preconceituosas e discriminatórias contra a comunidade judaica, considerando, por exemplo, que o holocausto não teria existido. A denúncia contra o livro foi feita em 1986 por movimentos populares de combate ao racismo e o STF manteve a condenação por considerar o crime de racismo imprescritível.
Agência CNJ de Notícias


http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/79571-conheca-a-diferenca-entre-racismo-e-injuria-racial

Programa de apadrinhamento afetivo começa a ser implantado em SP


O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) começa a implantar um programa de apadrinhamento afetivo para crianças e adolescentes que vivem em abrigos, com o objetivo de possibilitar a esses jovens, com chances remotas de adoção, a construção de vínculos fora da instituição em que vivem. Três abrigos foram escolhidos para desenvolvimento do projeto “Família Apadrinhadora” e, em poucas semanas, a Vara da Infância e Juventude Central de São Paulo já recebeu 3.500 inscrições de candidatos a padrinhos, que deverão agora ser avaliados. O programa paulistano será coordenado pela vara e conta com a parceria do Instituto Sedes Sapieniae.
O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, no sentido de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. As crianças aptas a serem apadrinhadas têm, quase sempre, mais de dez anos, possuem irmãos e, por vezes, são deficientes ou portadores de doenças crônicas – condições que resultam, na maioria das vezes, em chances remotas de adoção.
O padrinho ou a madrinha se torna uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda, pois o guardião continua sendo a instituição de acolhimento. Os padrinhos podem visitar a criança e, mediante autorização e supervisão, realizar passeios e até mesmo viagens com as crianças. Em alguns estados, o Poder Judiciário trabalha há alguns anos em conjunto com instituições que possuem programas que auxiliam os processos de adoção e de apadrinhamento afetivo que se tornaram referência no País – como, por exemplo, o Instituto Amigos de Lucas, no Rio Grande do Sul, e a Instituição Aconchego, no Distrito Federal.
Em São Paulo, o projeto “Família Apadrinhadora” será implantado inicialmente em três abrigos da capital e, posteriormente, deve ser estendido por todo o estado. De acordo com a juíza Dora Martins, titular da Vara da Infância e Juventude do Foro Central, após divulgar oficialmente o programa, a vara recebeu 3.500 inscrições de candidatos a padrinhos, que deverão ser avaliados por psicólogos em, pelo menos, quatro entrevistas e realizar cursos antes de iniciar a convivência com as crianças. Além disso, de acordo com a juíza, o programa deverá ser implantado de forma harmônica, para que possam ser oferecidos padrinhos e madrinhas a todas as crianças. “O abrigo é uma casa. Muita gente ainda tem a ideia antiga de orfanato. A intimidade, portanto, deve ser preservada e teremos um cuidado muito grande no acesso às crianças”, diz a magistrada, responsável por 20 abrigos e cerca de 400 crianças.
Vínculos – A motivação para a criação do programa, de acordo com a juíza, foi o fato de que muitas crianças criadas nos abrigos chegam à adolescência com muita insegurança, pois não têm vínculos com ninguém fora do abrigo, nem condições de arcar com as próprias despesas aos 18 anos. “A ideia é criar vínculos que poderão ser levados para além do abrigo. Queremos abrir caminho para o exercício do afeto, para o potencial de solidariedade das pessoas. Não é caridade, mas comprometimento social e humano”, diz a juíza Dora. Como a ideia é possibilitar uma convivência fora do abrigo para a criança e não um “teste” para uma possível adoção – o que poderia gerar frustrações nas crianças -, quem está na fila para realizar uma adoção não pode participar do programa de apadrinhamento afetivo.
De acordo com a juíza Dora, as crianças com possibilidades remotas de adoção viveram histórias de muito sofrimento e desenvolveram uma grande capacidade de resiliência para lidar com tantas perdas – como a da família e da casa. “Eles são muito maduros. Muitas vezes, quando chegam à adolescência, dizem que nem querem mais ser adotados, não vislumbram mais essa possibilidade”, diz a juíza, que se lembra de um caso raro de uma adoção que realizou recentemente de um menino de 15 anos e portador de HIV, uma exceção no universo da adoção tardia.
Luiza de Carvalho Fariello
Agência CNJ de Notícias


http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/79558-programa-de-apadrinhamento-afetivo-comeca-a-ser-implantado-em-sp

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Questão Racial será discutida em Audiência Pública dia 15/05

Tendo em vista o aniversário da abolição do trabalho escravo no Brasil (13/05) e a necessidade de se discutir constantemente as consequências sociais desse devastante acontecimento histórico, diversos eventos estão sendo organizados pelo movimento negro nacional, estadual e local.

Em Limeira, no dia 16/05/2015, às 19h00, haverá uma Audiência Pública para discutir a relação entre Direitos Humanos e a questão étnico-racial. Será uma oportunidade para discutir políticas públicas de igualdade étnico-racial.

A entrada é franca e todos os cidadãos interessados no tema estão convidados.

A iniciativa é da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, apoiada pelo IEG.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Gírámà Ìpìlẹ̀ Yorùbá (Gramática Básica Yorubá)

(Prof. Mestre José Benedito de Barros)

Trata-se de um texto apostilado que trabalha os principais elementos da gramática do idioma africano yorubá.

O yorùbá está entre os idiomas africanos que mais influenciam a cultura afro-brasileira. Quem nunca ouviu as palavras “axé”, “acarajé” e “orixá”? Quem nunca ouviu falar de “Yemanjá”, “Oxum”, Xangô, Ogum e Oxalá”?

O presente trabalho é uma contribuição para todos aqueles que querem conhecer ou cultivar as raízes africanas no Brasil, principalmente, da civilização e da língua yorùbá. Não se pretendeu esgotar o assunto. Trata-se de algo sucinto. O leitor deste trabalho poderá aprofundar seus conhecidos acessando as obras citadas na bibliografia.

Conteúdo: ABC da língua yorubá (Abidi), verbos, substantivos, adjetivos, preposições, pronomes, números, conjunções, advérbios, nome dos meses, nome dos dias da semana, textos, vocabulário e áudio de pronúncia em mp3.

Palavras chaves: Cultura afro-brasileira; Idiomas africanos; Idioma Yorùbá; Gramática Yorùbá.

Veja uma amostra do conteúdo da apostila

Texto da cultura tradicional Yorùbá

Mo nbọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko. (Monbó xé ixé lokô)
Mo nbọ̀ yà. (Monbóiá)
Mo nbọ̀ yà. (Mombóiá. (Monbó xé ixé lokô)

Mo nbọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko. (Monbó xé ixé lokô)
Mo nbọ̀ yà. (Monbóiá)
Mo nbọ̀ yà. (Monbóiá)


Tradução:
Mo: Eu (pronome pessoal, primeira pessoa singular).
Nbọ̀: Vindo (verbo conjugado no gerúndio. Bọ̀  = vir, chegar; N = marca de  gerúndio; a ação está acontecendo agora).
Ṣẹ: Fazer, realizar (verbo no infinitivo).
Iṣẹ́:  Trabalho, emprego (substantivo).
L’oko:  Na fazenda (preposição + substantivo. L’ = Ní = no, na; Oko = fazenda, sítio).
Yà:  Com licença, com permissão (conjunção subentendida + substantivo). 
Yà = Yàgo: Com licença, dar licença (verbo).

Autor: Professor Mestre José Benedito de Barros
Edição: Texto pdf e áudio em mp3.
Páginas: 30.
Preço: R$ 30,00.
Forma de pagamento: depósito bancário.
Forma de envio: email.

Para adquirir, contate:
TABENE CONSULTORIA EDUCACIONAL, Limeira-SP.
Fone: (19) 98401-5048 (TIM)
EMAIL: tabene.consultoriaeducacional@gmail.com
Blog: tabeneconsultoriaeducacional.blogspot.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/tabeneconsultoriaeducacional

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

TABENE CONSLTORIA EDUCACIONAL

Quem somos?


TABENE é uma organização que oferece serviços de consultoria educacional abrangendo diversas áreas do conhecimento, como direito, filosofia, linguística, cultura geral, cultura afro-brasileira, política, religião e gestão.
Ela tem como Diretor Geral o Professor Mestre José Benedito de Barros, mestre em educação, especialista e bacharel em direito, pós graduando em linguística e licenciado em filosofia. A organização conta com a assistência administrativa de Thainá da Silva Schuveter.

Origem do nome TABENE:
TABENE tem várias origens, como por exemplo:
·        O nome de uma cidade de Camarões, na África.
·        Origem nas línguas africanas, onde “Ta” vem do Yorubá e significa “iluminar” e “Bene” vem do Kimbundo e significa “sim”, “bem”, “bom” e “afirmação”.
·        Na língua portuguesa, “Ta” é a forma coloquial de ‘está’, terceira pessoa do singular do verbo ‘estar’. Já “Bene”, em algumas línguas neolatinas, significa “bem”.

Que serviços oferecemos?
  • ·        Docência:

Nossa organização oferece cursos, aulas, palestras, simpósios, seminários e encontros sobre as línguas africanas (Yorubá, Kimbundo, Kijinga), história, filosofia, direito, política, gestão, cultura afro-brasileira, religião e linguística. Além disso, oferece preparação para concursos e exames em geral.
  • ·        Elaboração de textos:

Projetos em geral, projetos político-pedagógicos, pareceres, ensaios, apostilas e cadernos.
  • ·        Orientações:

Orientações para elaboração de projetos e trabalhos acadêmicos.
  • ·        Traduções e versões:

Inglês-Português, Francês-Português, Espanhol-Português, Yorubá-Português, Kimbundo-Português, Kijinga-Português.

CONTATO:
TABENE CONSULTORIA EDUCACIONAL
FONE: (19) 98401-5048
EMAIL: tabene.consultoriaeducacional@gmail.com
BLOG: tabeneconsultoriaeducacional.blogspot.com.br

LOCAL: Limeira,SP.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O Movimento Ginga de Limeira e as eleições 2014



(Kilombo Ginga ia Limeira ni makumona 2014)

O Movimento de Ginga de Limeira é uma organização da sociedade civil que tem como princípios a igualdade, a liberdade,  a solidariedade e o respeito às identidades e às alteridades.
Em seus mais de 30 anos de existência, o Ginga tem lutado contra os preconceitos e as discriminações, bem como em favor de políticas que visem a igualdade social e o respeito às diferenças. Os resultados dessas lutas se fazem sentir nos dias de hoje.
Os resultados, ainda que insuficientes, foram possíveis graças ao espírito guerreiro do povo negro e às parcerias com organizações da sociedade civil, religiosas, sindicatos, partidos e cidadãos comprometidos com a construção de uma nova sociedade.
Assim, tendo em vista as eleições deste ano, vimos a público, não para dizer que estamos apoiando candidatos, mas para informar quais são os candidatos que têm apoiado nossas lutas.
Estamos divulgando nomes de  candidatos ou apoiadores dos mesmos que têm apoiado projetos de interesse da Comunidade Negra e Afro-brasileira de Limeira; que apoiam nossas propostas de políticas de igualdade social e respeito às identidades e alteridades.

DEPUTADOS ESTADUAIS

ANTONIO MENTOR – 13199 (parceria desde 2001; apoiou liberação de verbas para Limeira e para projetos do Movimento Ginga).
PAULO MALERBA – 13310 (apoiado pelos setor bancário de Limeira, que apoia o Movimento Negro desde os anos 80)
RONEI MARTINS – 13330 (apresentou Projeto de Lei sobre Cotas para negros na publicidade municipal e Projeto de Lei Sobre que instituiu o  Dia da Umbanda e Limeira).
ROBERTO FELÍCIO – 13400 (apoiado por educadores ligados à APEOESP , que apoia o Movimento Negro desde os anos 80).
RENATO SIMÕES -13813 (apoiado por  sindicalistas e lideranças de Movimentos Sociais que apoiam o Movimento Negro desde os anos 80).
PIUÍ: 65200 (Desenvolve trabalho socioeducativo que atende pobres e negros na periferia)
TOTÓ DO GÁS – 20202 (votou a favor do Projeto de Lei que instituiu o Dia da Umbanda).
DINHO – 40300 (votou a favor do Projeto de Lei que instituiu o Dia da Umbanda).
MÁRIO BOTION – 51056 (Apoiou eventos da Comunidade Negra).
DR JÚLIO – 25255 (votou a favor do Projeto de Lei que instituiu o Dia da Umbanda).
ZÉ DA MIX – 55432 (votou a favor do Projeto de Lei que instituiu o Dia da Umbanda).


DEPUTADOS FEDERAIS

JOSÉ MENTOR – 1332(parceria desde 2001; apoiou liberação de verbas para Limeira e para projetos do Movimento Ginga).
EUNICE LOPES: 1314 (Junto ao SINDSEL luta pela em favor das cotas raciais e pela aprovação de um Plano Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Étnico-racial).
NILTO TATO - 1353 (apoiado pelo Vereador ALOIZIO, que atem apoiado projetos que contemplam os interesses dos cidadãos negros e da comunidade afro-brasileira.
LUIZ CLÁUDIO MARCOLINO - 1331(apoiado pelos setor bancário de Limeira, que apoia o Movimento Negro desde os anos 80).
NILTON LIMA – 1318  (apoiado por educadores ligados à APEOESP, que apoia o Movimento Negro desde os anos 80).
ADRIANO DIOGO  - 1368 (apoiado por  sindicalistas e lideranças de Movimentos Sociais que apoiam o Movimento Negro desde os anos 80).
MIGUEL LOMBARDI – 2277(votou a favor do Projeto de Lei que instituiu o Dia da Umbanda; foi autor de Projeto de Lei que concedeu ao IEG as credenciais de Utilidade Pública).
MAYARA COSTA – 2312(votou a favor do Projeto de Lei que instituiu o Dia da Umbanda)
VALDIR ELIAS – 5126 (Apoia eventos e projetos da Comunidade Negra).

VEREADORES  ALIADOS DE LIMEIRA E SEUS CANDIDATOS

Vereador JORGE DE FREITAS: MÁRIO BOTION para Deputado  Estadual
Vereador LUIZINHO: MÁRIO BOTION para Estadual e Mendes Tame(4577) para Federal
Vereador ALOIZIO: ANTONIO MENTOR para Estadual e NILTO TATO  (1353) para Federal.
Vereador JU NEGÃO:  DINHO para Estadual e LUIZ LAURO FILHO (4000) para Federal
Vereador: WILSON CERQUEIRA: RENATO SIMÕES (13813) para Estadual e ADRIANO DIOGO (1368) para Federal.
ERIKA MONTEIRO: ROBERTO FELÍCIO para Estadual e NILTON LIMA) para Federal.
Vereadora LU BOGO:  MIGUEL LOMBARDI para Federal.
Vereador DARCI REIS: MIGUEL LOMBARDI para Federal e DR JÚLIO para ESTADUAL.

ALGUMAS LIDERANÇAS DE ORGANIZAÇÕES PARCEIRAS DO MOVIMENTO NEGRO E SEUS CANDIDATOS

ERIKA MONTEIRO (APEOESP): apoia ROBERTO FELÍCIO (13400) para Estadual e NILTON LIMA (1318) para Federal.
WILSON CERQUEIRA (SINDICATO DOS METALÚRGICOS): RENATO SIMÕES (13813) para Estadual e ADRIANO DIOGO (1368) para Federal.
ALOIZIO (SAÚDE): ANTONIO MENTOR para Estadual e NILTO TATO (1353) para Federal.
OSMAR LOPES (SINDSEL): MARCIA LIA (13113)para ESTADUAL EUNICE LOPES para Federal .
SILVANA ARADO (SINDSEL): MARCIA LIA (13113)para ESTADUAL EUNICE LOPES para Federal.
DALVA (SINDICATO BANCÁRIOS): MALERBA para Estadual e MARCOLINO para Federal.
FÁTIMA CELIN  (SINDICATO BANCÁRIOS): MALERBA para Estadual e MARCOLINO para Federal.
JOCELI MARIA DOS SANTOS (IEG): ANTONIO MENTOR para Estadual e EUNICE LOPES para Federal.
HELENO (IEG e GINGA) : ANTONIO MENTOR para Estadual e EUNICE LOPES para Federal.
JOSÉ BENEDITO DE BARROS (IEG/GINGA): ANTONIO MENTOR para Estadual e JOSÉ MENTOR para Federal.
GALDINO CLEMENTE (IEG/GINGA): ANTONIO MENTOR para Estadual; JOSÉ MENTOR para Federal.

Coordenação do Movimento Ginga de Limeira
(Jisoba ia Kilombo Ginga ia Limeira)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Kinjinga: rimi ria Kifuxi Ginga - Moxi (Kinjinga: língua do povo Ginga - Um)

José Benedito de Barros*

Nós, do Movimento Ginga e do Instituto Educacional Ginga (IEG) de Limeira, estamos divulgando o primeiro texto na língua kinjinga.

Outros nomes para esta língua: Njinga, Kindongo e Kimbundu.
O kinjinga, literalmente, língua do Jinga (nome de um povo de Angola), é uma língua que está sendo gestada pelo Movimento Ginga de Limeira-SP.

Em Angola, há uma língua bantu com muitos dialetos, que era a língua oficial do antigo Reino (kifuxi) do Ndongo. Essa língua tem vários nomes, dependendo do grupo que a fala. Assim, ela é chamada de Kindongo (língua do Reino de Ndongo), de Kimbundu (língua do povo ambundu) e de  njinga  ou kinjinga (língua falada pelo povo njinga), além de outras denominações.

Tendo em vista o nome de nosso movimento (ginga), estamos optando pelo nome Kinjinga.
O Kinjinga é uma língua que tem por base o léxico (conjunto de palavras) da língua njinga ou quimbundo, falada principalmente em Angola, continente africano. Estamos fazendo uso também do léxico de outros idiomas africanos como o Kikongo, falado pelo povo Bakongo, e o umbundu, falado pelo povo Ovimbundu.
Os textos abaixo têm caráter experimental e poderão ser revisados, ampliados ou suprimidos com o passar do tempo, à medida que nossos estudos e necessidades forem indicando novos caminhos linguísticos.
Esperamos estar contribuindo para uma (re) leitura da cultura africana e afro-brasileira.
Sugestões são bem vindas.

 
Algumas regras de pronúncia.
1.    Regra geral: a sílaba tônica é a penúltima. Exemplos: Akota, lê-se aKÓta; kabila, lê-se: kaBÍla; kilombo, lê-se: “kiLOMbo.

2.    Palavras com um “s”, lê-se como se fosse com dois “ss”. Exemplos: Kaisongo, lê-se: KaiSSONgo. Musake, lê-se: muSSAke.

3.    “Ge” e “gi”, lê-se: “guê” e “gui”. Exemplos: Mubange, lê-se “muBANgue”, sem a pronúncia da letra "u". Mulongi, lê-se: “muLONgui”, sem a pronúncia da letra "u", da mesma forma que se pronuncia a palavra "manguezal".

4.    O “r”, lê-se como um "r” brando, como lemos em "barata" e "caroço". Exemplos: Kimbari, lê-se “kimBAri”. Mubangiri, lê-se “mubanGUIri”

5.    Palavras com “M” e “N”, no início, indicam nasalação. O aportuguesamento das palavras tem levado a duas formas distintas de pronúncia e de escrita: acrescenta-se vogal antes de “M” ou “N” ou, simplesmente, eliminam-se tais consoantes. Exemplos: Ngola (Angola); Ndongo (Dongo); Mbanda (banda).

6.    Palavras com “h”, pronuncia-se aspirado. Exemplo: Muhehe, lê-se “MuRRErre

Jisabu – provérbios do Povo ambundu e do povo njinga, de Angola)
1. Ki lunda o muxima, muzumbu ka-ki-tagiê.
( O que guarda o coração, o lábio não o conta)
Significado: é importante saber manter segredo.
Tradução analítica.
Ki : Que, o que, aquele, aquela, aquilo. Pronome relativo e demonstrativo.
Lunda: Guarda, do verbo Kulunda = guardar.
O: O. Artigo definido.
Muxima: Coração.
Muzumbu: Lábio.
Ka-ki: Não.
Tagiê: Conta, coloca, situa, põe. Orgiem provável: verbo Kuta: colocar, situar, por.
2. Uene ni muzumbu, kajinbirilê.
(Quem tem lábio, não se perde).
Significado: é importante pesquisar e se informar.
Une: aquele que tem (está com); quem.
Ni: com.
Muzumbu: lábio.
Kajinbirilê: Ka (não); Jinbirilê = perde, desaparece. Origem: verbo kujimbirila: desaparecer.
3. Xixikinha uatumine nzamba.
(A formiga já mandou no elefante)
Significado: os mais fracos podem vencer os mais fortes. Se o elefante morre, servirá de comida às formigas.
Xixikinha: formiga.
Uatamine: comandou, dominou. Origem: verbo kutimina: comandar, governar, dominar.
Nzamba: elefante.
4. Hima katarê ku mukila uê.
( O macaco não olha o próprio rabo)
Significado: muitas vezes nos concentramos em reparar os defeitos dos outros e não vemos os nossos.
Hima: macaco.
Katarê ku: não olha (?)
Mukila: cauda, rabo.
Uê: seu. Pronome possessivo.
5. Ukembu ua petu, moxi isuta.
( Beleza de almofada, dentro trapos).
Significado: as aparências enganam.
Ukembu: beleza, enfeite, embelezamento, artigo de luxo.
Ua: de.
Petu: almofada.
Moxi: dentro, mo meio de, na parte interior.
Isuta: trapo, farrapo.
6. Bengu uarimukina um huina uê.
( O rato é esperto na sua toca)
 Significado: somos mais poderosos em nosso próprio território.
Bengu: rato
Uarimukina: é esperto. Verbo Kurimukina: ser astucioso, ser esperto.
Huina: toca:
Uê: seu. Pronome possessivo.
7. Sasa o ingo i-ku-tolole o Xingu.
(Cria a onça para que ela lhe parta o pescoço)
Significado: às vezes somos traídos por aqueles a quem ajudamos.
Sasa: cria. Verbo Kusasa: criar, educar, ensianr.
O: o.
Ingo: onça.
I-ku-tolole: para que parta. Verbo kutolola: partir, quebrar
O: o.
Xingu: pescoço, colo.
8. Muzueri uonene kalungê.
( O grande falador não tem razão)
Significado: tem gente que fala muito, mas pouco se aproveita do que diz.
Muzueri: falador
Uonene: grande
Kalungê: não tem razão. Ka: não; Verbo kulunga: ter razão.
9. Tua-ri-jia jipolo, tua-ri-jietu mixima.
( Nós nos conhecemos pelos caras, não nos conhecemos pelos corações)
Significado: Nosso conhecimento em relação às pessoas é superficial.
Tua-ri: seus, deles.
Jia: conhecemos. Verbo kuijia: conhecer, saber.
Jipolo: caras, rostos, semblantes.
Etu: nós.
Mixima: corações.

10. Imbua iboza ki ilumata.
(Cachorro que late não morde).
Significado: quem muito fala, pouco faz.
Imbua: cachorro, cão.
Ki: não.
Iboza: ladra, late. Verbo: kuboza: ladrar, latir.
Ilumata: morde. Verbo Kulumata: morder.
Fonte: NASCIMENTO, J. Pereira de (Coord.) Diccionario kimbundu-portuguez. Typographia da Missão, Huilla (Angola), 1903.
*José Benedito de Barros, Mestre em Educação; Especialista e Bacharel em Direito; Licenciado em Filosofia; Pós-graduando em Linguística.

Contato: